Esta terça-feira, dia 24 de agosto, o professor António Manuel Hespanha recebeu um prémio, a título póstumo, no âmbito do ICAS Book Prize 2021, pelo seu livro “Filhos da Terra – Identidades Mestiças nos Confins da Expansão Portuguesa”.

António Manuel Hespanha, que foi professor catedrático e investigador na nossa Faculdade entre 1998 e 2010, foi premiado com uma Menção Honrosa pela Contribuição Excecional para o Campo dos Estudos Asiáticos «Honorary Mention: Outstanding Contribution to the Field of Asian Studies» -, durante a sessão de abertura da International Convention of Asian Scholars (ICAS), o maior encontro de estudiosos da Ásia, que este ano aconteceu virtualmente a partir de Quioto, no Japão.

 

O Prémio

Este prémio internacional de livros sobre a Ásia, organizado pela International Convention of Asian Scholars (ICAS), é concedido de dois em dois anos e tem por objetivo dar visibilidade internacional a publicações académicas dedicadas ao estudo sobre Ásia, reconhecendo publicações de excelência neste campo.

Estabelecido em 2003, cresceu de uma pequena “experiência” (50 livros e 5 dissertações em 2005) para ser considerado o mais importante Prémio de Livros no campo dos Estudos Asiáticos, com 600 livros e 150 dissertações na última edição. Originalmente limitado a publicações em inglês, abrange atualmente publicações em chinês, francês, alemão, japonês, coreano, português, russo e espanhol.

 

O Livro

“Filhos da Terra – Identidades Mestiças nos Confins da Expansão Portuguesa” é descrito pelo International Institute for Asian Studies como o último livro de um dos maiores intelectuais portugueses, abrindo novas abordagens de investigação, propondo novos conceitos e renovando o debate historiográfico sobre o Império Português.

 

Resumo

“Filhos da Terra” é a História da expansão portuguesa “contada às avessas”: não do ponto de vista da metrópole, mas sim do ponto de vista daqueles que partiram e se instalaram nas margens do Império Português.

António Manuel Hespanha conta, assim, uma História que todos conhecemos, revelando-nos a perspetiva que até aqui ignorámos, alheando-se da História institucional e do discurso da metrópole, para nos dizer como é que a gente comum emigrou, como se adaptou a contextos “exóticos”, de que modo os locais olhavam para estes “portugueses” e de que modo a sua posição e o seu poder relativos foram variando em cada lugar.

Um livro que reconfigura os termos da análise historiográfica e mostra‑nos que há uma versão mais rica e policromática da expansão portuguesa: a da História Social, das pessoas comuns, que não se esgota numa cronologia de descobrimentos, numa prosopografia de heróis e santos, ou numa contabilidade de conquistas, de canhões e de convertidos.

FIlhos da Terra

 

O Autor

António Manuel Hespanha foi professor e investigador na NOVA School of Law, onde ajudou a formar várias gerações de estudantes. Com uma obra científica marcante e fecunda para a historiografia, para a metodologia histórica e para a identidade disciplinar da História do Direito – referência incontornável para todos os que a estudam e sobre ela investigam, seja em Portugal ou em Espanha, Itália, Alemanha e em muitos outros países europeus, no Brasil e em vários países da América Latina – é o historiador português mais citado internacionalmente e um dos nomes mais importantes no estudo da História Institucional e Política dos Países Ibéricos.